As territorialidades, os corpos afetados e as relações de poder em Rebanho de Pedras, de Ademir Braz

  • Airton Souza de Oliveira Universidade Federal do Pará
Palavras-chave: Fronteiras. Identidades. Poética emergente. Relações de poder. Amazônia

Resumo

Neste artigo, visamos apresentar uma leitura crítica a respeito das representações simbólicas e históricas das territorialidades, dos corpos afetados e das relações de poder, partindo principalmente da análise do livro Rebanho de Pedras, do poeta Ademir Braz, como parte de um complexo corpus das poéticas entre fronteiras. Nesse sentido, utilizam-se os pensamentos críticos ligados as relações de poder, as identidades, a própria noção de fronteira, centrada em autores/as como Lugones (2019), Malheiros (2015), Foucault (1995), Mignolo 92017), entre outros/as. As análises mostram-nos como a poética entre fronteira se constituem como front[1] e, ao mesmo tempo como r-existência, dentro de uma nova economia de relações de poder. Assim, percebe-se o quanto a fronteira é múltipla e que suas relações históricas tensionam e interrogam problemas que são, de alguma maneira, parte dos processos de longa duração, dentro da perspectiva colonial.

 

[1] A noção de pensar a fronteira como front parte da concepção postulada pelo professor doutor e pesquisador Bruno Cezar Pereira Malheiros, principalmente de seu artigo intitulado “Territórios e Saberes em disputa: por uma epistemologia da fronteira”, publicada na Revista iGuana – reflexão Amazônia, na edição de nº I, em 2015. Malheiros (2015) traz uma reflexão contundente a respeito da fronteira como front partindo sobretudo de processos que são considerados como respostas aos projetos de ocupações de terras, ou seja, dos territórios na Amazônia, principalmente no sul e sudeste do Pará.

Referências

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Publicado
2022-07-05
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