Práticas de escrita e mediação docente no ensino de gêneros textuais: questões sobre a resistência na escrita do gênero memórias literárias

Palavras-chave: Olimpíada de Língua Portuguesa, Gêneros Textuais, Escrita, Resistência

Resumo

Neste artigo pretendemos colocar em discussão a escrita do gênero textual “Memórias Literárias”, proposto pela Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro para os estudantes do 6º e 7º anos do Ensino Fundamental, recortando-se a questão de que algumas produções não apresentam as características específicas do gênero. Para alcançar nosso objetivo, apoiamo-nos no conceito psicanalítico de resistência, dando destaque para a resistência que o estudante opõe à escrita do gênero em questão. Desse modo, trata-se de uma pesquisa qualitativa cujo objeto de análise consiste em um texto de memórias escrito por uma aluna do 6º ano do Ensino Fundamental, de uma escola da rede pública de Pernambuco. Os resultados apontaram que a resistência que o estudante opõe à escrita do gênero memórias literárias tem relação com a transferência, isto é, o sujeito-aluno ao ser convocado a escrever a respeito de eventos que implicam na recuperação de lembranças de episódios vividos, transfere para o texto suas próprias memórias, o que nos leva a compreender que por trás do que é produzido como texto há o que o sujeito-aluno não sabe que diz, mas que diz o que quer dizer, ou seja, há no dizer do sujeito o não-dito e o mais-além do dizer, que as muitas funções da palavra sustentam.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Magda Wacemberg Pereira Lima Carvalho, Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
Doutora e Mestre em Ciências da Linguagem pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), Graduada em Letras, Professora da Rede Pública no Estado de Pernambuco
Daniela Paula de Lima Nunes Malta, Universidade Federal de Pernambuco
Mestre em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  Doutoranda em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Professora da Rede Pública de Pernambuco.

Referências

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. 8. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

BAZERMAN, Charles. Gêneros textuais, tipificação e interação. São Paulo: Cortez, 2005.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf. Acesso em: 1 mai. 2020.

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.
CLARA, Regina Andrade; ALTENFELDER, Anna Helena; ALMEIDA, Neide. Se bem me lembro...: caderno do professor: orientação para produção de textos. São Paulo: Cenpec, 2010.

CHEMAMA, Roland. Dicionário de psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1995.

DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michèle; SCHNEUWLY, Bernard. Sequências didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: DOLZ, Joaquim; SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004. p. 81-108.

DOLZ, Joaquim; GAGNON, Roxane; DECÂNDIO, Fabrício. Produção escrita e dificuldades de aprendizagem. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2010.

DOLZ, Joaquim. A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro: uma contribuição para o desenvolvimento da aprendizagem da escrita. In: CLARA, Regina Andrade; ALTENFELDER, Anna Helena; ALMEIDA, Neide. Se bem me lembro...: caderno do professor: orientação para produção de textos. São Paulo: Cenpec, 2010 p. 9-15.

FREUD, Sigmund. [1907] Escritores Criativos e Devaneios. In: FREUD, Sigmund. Edição Standard Brasileira de obras completas de Sigmund Freud. v. IX. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1969. p. 149-158.

FREUD, Sigmund. [1916-17]. Conferências Introdutórias sobre Psicanálise. In: FREUD, Sigmund. Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. v. XVI. Rio de Janeiro: Imago, 1990. p. 287-539.

FREUD, Sigmund. [1895] Projeto para uma psicologia científica. In: FREUD, Sigmund. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira. v. II. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1996. p. 212-261.

GERALDI, João Wanderley. A aula como acontecimento. 2. ed. São Carlos, SP: Pedro & João Editores, 2015.

LACAN, Jacques. O Seminário, livro 1. Os escritos técnicos de Freud. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1979.

LACAN, Jacques. O Seminário, livro 20. Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1982.

LACAN, Jacques. O Seminário, livro 18. De um discurso que não fosse semblante. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.

LEMOS, Cláudia de. Das Vicissitudes da Fala da Criança e sua Investigação. Cadernos de Estudos Linguísticos. Campinas: IEL/Unicamp, n. 42, p. 41-69, 2002. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8637140. Acesso em: 10 dez. 2019.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

PERNAMBUCO. Base Curricular Comum para as Redes Públicas de Ensino de Pernambuco: língua portuguesa. Recife: Secretaria de Educação, 2008.

PERNAMBUCO. Currículo de Pernambuco: ensino fundamental. Secretaria de Educação e Esportes. União dos Dirigentes Municipais de Educação; coordenação Ana Coelho Vieira Selva, Sônia Regina Diógenes Tenório; apresentação Frederico da Costa Amâncio, Maria Elza da Silva. Recife: A Secretaria, 2019.

ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo. (Org.). Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola, 2012.

ROUDINESCO, Elisabeth; PLON, Michel. Dicionário de Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

TARDIF, Murice; LESSARD, Claude. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. Petrópolis: Vozes, 2005.
Publicado
2020-12-26
Visualizações
  • Artigo 55
  • PDF 58
Como Citar
PEREIRA LIMA CARVALHO, M.; MALTA, D. P. Práticas de escrita e mediação docente no ensino de gêneros textuais: questões sobre a resistência na escrita do gênero memórias literárias. ReDiPE: Revista Diálogos e Perspectivas em Educação, v. 2, n. 2, p. 36-51, 26 dez. 2020.
Seção
Artigos Científicos