Se há LGBTfobia não há agroecologia: coletivos de juventudes LGBTQIAP+ e processos educativos sobre diversidade afetiva, sexual e de gênero

  • Gabriel Mattos Ornelas Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: Juventudes, Agroecologia, Coletivos, LGBTQIAP , Processos Educativos

Resumo

Este artigo tem o objetivo de compreender os processos educativos construídos a partir dos coletivos de juventudes que reivindicam o reconhecimento da diversidade afetiva, sexual e de gênero no campo, nas florestas e nas cidades. Para tanto, serão descritos e analisados os processos educativos realizados pelos coletivos de juventude LGBTQIAP+ do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, do Movimento Indígena (Coletivo Tibira) e do Movimento Agroecológico. Além disso, o estudo busca contribuir com o campo da agroecologia, da educação e dos estudos anticoloniais, tendo em vista a importância de pesquisas que promovam, a partir da perspectiva da interseccionalidade, conexões entre as práticas socioambientais e as identidades socioculturais juvenis. Existe uma lacuna nessas literaturas sobre o papel dos coletivos de juventudes LGBTQIAP+ na promoção de processos educativos e é essa agenda de pesquisa que este estudo pretende fomentar. Conclui-se que a cisheteronormatividade tem relação direta com o modelo de monocultura do agronegócio e as práticas sociais dos coletivos de juventudes LGBTQIAP+ têm um papel central na criação de processos educativos para libertação da terra e dos corpos e para permanência das/os jovens nos seus territórios.

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Publicado
2022-06-25
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  • Artigo 306
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Como Citar
ORNELAS, G. Se há LGBTfobia não há agroecologia: coletivos de juventudes LGBTQIAP+ e processos educativos sobre diversidade afetiva, sexual e de gênero. ReDiPE: Revista Diálogos e Perspectivas em Educação, v. 3, n. 2, p. 92-102, 25 jun. 2022.