Saberes tradicionais e educação matemática na escola indígena: relações possíveis

Palavras-chave: Matemática Escolar, Saberes Indígenas, Estratégias de Ensino, Cultura

Resumo

Este artigo consiste em analisar as estratégias utilizadas por professores indígenas para relacionarem saberes tradicionais e saberes matemáticos escolares nas suas aulas. A pesquisa foi desenvolvida com a participação de dois professores indígenas que ensinam Matemática nos anos finais do ensino fundamental da Escola Indígena Estadual Jorge Iaparrá, localizada na aldeia Manga, do povo Karipuna, município de Oiapoque-AP. O estudo é caracterizado a partir da abordagem qualitativa e os instrumentos utilizados para a produção dos dados foram entrevista e observação no contexto escolar. O referencial teórico, tendo em vista o recorte do texto, toma por referência discussões de: APIO (2009); Brito (2012); Corrêa (2004); D’Ambrosio (2008; 2011); Fontana (2006); Gallois e Grupioni (2003); Knijnik et al (2012); Mattos e Mattos (2018); Tassinari (1997); Vergani (2007); Vidal (2009). Os resultados indicam que os professores indígenas utilizam a contextualização e a adaptação como estratégias que possibilitam articulação entre os saberes escolares e os saberes tradicionais em suas aulas de matemática. Assim, a prática pedagógica no ensino de matemática na educação escolar indígena mobiliza diferentes conhecimentos tendo em vista as demandas da comunidade.

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Biografia do Autor

José Sávio Bicho, Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)
Doutor em Educação em Ciências e Matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no âmbito da Rede Amazônica de Educação em Ciências e Matemática (Reamec). Professor na Licenciatura em Educação do Campo e no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM) da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Vice-líder do Gepeci e do Gpemazon.

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Publicado
2021-11-23
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Como Citar
BICHO, J. S. Saberes tradicionais e educação matemática na escola indígena: relações possíveis. ReDiPE: Revista Diálogos e Perspectivas em Educação, v. 3, n. Especial, p. 41-55, 23 nov. 2021.