Entre dois Manoéis, Moraes e Calado: o libelo dos sacerdotes no Brasil holandês

Palavras-chave: Clero católico; ambivalências religiosas; traição política; heresia; Brasil holandês.

Resumo

O presente artigo se destina a revisitar um território pretensamente tolerante do Brasil Colonial, isto é, as capitanias açucareiras do Norte sob a dominação neerlandesa (1630-1654). A partir da centralidade do clero católico na vida política e religiosa colonial, são examinadas as denúncias, registradas nos Cadernos do Promotor, contra o apóstata mais conhecido, o padre Manoel de Moraes. O resultado é caracterização de desvios em dois terrenos distintos, a traição política e a heresia e apostasia. Cotejando com as suspeitas levantadas sobre outros sacerdotes, como frei Manoel Calado, muitas das quais não passaram das denúncias, é possível questionar os limites do foro inquisitorial e a atuação incisiva do bispo do Brasil, bem como as ambivalências religiosas entre a proximidade aos holandeses e a fidelidade ao catolicismo.

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Biografia do Autor

Regina de Carvalho Ribeiro da Costa, Universidade Federal Fluminense
Professora Adjunta Substituta do Departamento de História (GHT) da Universidade Federal Fluminense (UFF). Membro do Laboratório Companhia das Índias - Núcleo de História Ibérica e Colonial na Época Moderna/UFF. Doutora em História pelo Universidade Federal Fluminense (UFF).

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Publicado
2020-02-29
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Como Citar
da Costa, R. (2020). Entre dois Manoéis, Moraes e Calado: o libelo dos sacerdotes no Brasil holandês. Escritas Do Tempo, 1(3), 97-120. https://doi.org/10.47694/issn.2674-7758.v1.i3.20192020.97120