As narrativas didáticas sobre o bandeirante: entre a mitologia bandeirante e a crítica histórica

Palavras-chave: Livro didático. Bandeirante. Cultura Histórica.

Resumo

Os livros didáticos disponibilizados pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) se constituem hoje como um dos instrumentos mais importantes para alunos e professores nas escolas públicas brasileiras, não obstante, também são aglutinadores de diversas esferas de conhecimento, interessa-nos para esta reflexão o saber histórico e a memória. Neste trabalho, procuramos verificar como estes dois campos se inserem na literatura didática, especificamente em relação à temática das Entradas e Bandeiras. Percebemos nos livros analisados uma complexa relação entre o saber de referência e a memória histórica, dimensionados em distintas camadas narrativas esses saberes veiculam diferentes interpretações sobre o mesmo processo histórico. Esta constatação revela a complexidade cultural do livro didático, que conjuga em si ecos da memória bandeirante e extratos da historiografia contemporânea.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Andressa da Silva Gonçalves, Universidade Federal do Pará
Graduada em história pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Atualmente realiza o mestrado no programa de pós-graduação em história social da Amazônia (PPHIST/UFPA). A pesquisa em curso se debruça sobre as representações sobre Entradas e Bandeiras nas narrativas didáticas.
Mauro Cezar Coelho, Universidade Federal do Pará
Possui graduação em Bacharelado História pela Universidade Federal Fluminense (1994), graduação em Licenciatura História pela Universidade Federal Fluminense (1994), mestrado em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1996) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (2006). Professor Adjunto da Universidade Federal do Pará, onde atua na Faculdade de História e no Programa de História Social da Amazônia. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Colonial e Ensino de História, atuando principalmente nos seguintes temas: Amazônia colonial, história indígena e do indigenismo, história da ciência, história da educação e ensino de história.

Referências

ABREU, João Capistrano de. Capítulos de História Colonial (1500-1800). Brasília: Conselho Editorial do Senado Federal: 1998.
ABUD, Kátia Maria. O sangue intimorato e as nobilíssimas tradições - a construção de um símbolo paulista: o bandeirante. Tese (Doutorado em história), Universidade de São Paulo, São Paulo, 1986.
ALMEIDA, Emiliano Cesar. Retrato Paulista do Brasil: Paulo Prado, o Modernismo e a Semana de Arte Moderna de 1922. Letras Escreve, Amapá, v. 5, n. 2, p. 127-137, 2015.
AZEVEDO, Gislane Campos; SERIACOPI, Reinaldo. Coleção Projeto Teláris. 1 ed. São Paulo: Ática: 2012.
BRASIL. Guia de livros didáticos: PNLD 2014 – História. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica: 2013.
BRASIL. Guia de livros didáticos: PNLD 2017 – História. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação: 2016.
BOTON, Jaiane de Moraes. O processo de escolha do livro didático por professores: a evolução do PNLD e seus efeitos no ensino de ciências. Dissertação (Mestrado em Educação em ciências), Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2014.
CAIMI, Flávia Eloísa. O livro didático de história e suas imperfeições: repercussões do PNLD após 20 anos. In: ROCHA, Helenice Aparecida Bastos; REZNIK, Luís; MAGALHÃES, Marcelo de Souza. (Org.). Livros Didáticos De História - Entre Políticas e Narrativas. 1ed. Rio de Janeiro: FGV Editora: 2017.
CAMPOS, Candido Malta. Os rumos da cidade: urbanismo e modernização. São Paulo: Senac: 2002.
CARBONELl, Charles-Olivier. Historiografia. Lisboa: Teorema: 1981.
CARVALHO, Ana Beatriz dos Santos. Leituras e usos do livro didático de história: relações professor-livro didático nos anos finais do ensino fundamental. Dissertação (Mestrado em educação), Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2009.
CASTELO-BRANCO, Fernando. Tratado de Madri. In: SERRÃO, Joel (dir.). Vol. 4. Dicionário de História de Portugal. Porto: Livraria Figueirinhas: 1985.
CASSIANO, Célia Cristina de Figueiredo. O mercado do livro didático no Brasil: do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD à entrada do capital internacional espanhol (1985-2007). Tese (Doutorado em Educação), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007.
CHALOUB, Sidney; SILVA, Fernando Teixeira da. Sujeitos no imaginário acadêmico: escravos e trabalhadores na historiografia brasileira desde os anos 1980. Cadernos Arquivo Edgar Leuenroth, Campinas, v, 14, n. 26, 2009.
COELHO, Mauro Cezar. A história, o índio e o livro didático: apontamentos para uma reflexão sobre o saber histórico escolar. In: ROCHA, Helenice; Aparecida Bastos; REZNIK, Luiz; MAGALHÃES, Marcelo de Souza (orgs.). A história na escola: autores, livros e leituras. Rio de Janeiro: FGV: 2009.
COELHO, Mauro Cezar. Que enredo tem essa história? A colonização portuguesa na América nos livros didáticos de história. In: ROCHA, Helenice; REZNIK, Luis; MAGALHÃES, Marcelo de Souza. Livros didáticos de história: entre políticas e narrativas. Rio de Janeiro: FGV Editora: 2017.
CORTEZÃO, Jaime Zuzarte. O Tratado de Madrid. Brasília: Senado Federal: 2001.
ELLIS JUNIOR, Alfredo. Os Primeiros Troncos Paulistas e o cruzamento euro-americano. São Paulo: Companhia Editora Nacional: 1936.
FERREIRA, Marieta de Moraes; FRANCO, Renato. Desafios do ensino de história. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 21, n. 41, p. 79-93, 2008.
GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado. Historiografia e nação no Brasil: 1838-1857. Rio de Janeiro: Ed. UERJ: 2011.
JARDIM, Fernanda Maciel. O Design(er) na produção editorial do livro didático: funções, contribuições e limites. Dissertação (Mestrado em Design), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2010.
LE GOFF, Jacques. História e memória. Campinas: Editora da UNICAMP: 1996.
LESSA, Carlos. Nação e nacionalismo a partir da experiência brasileira. Estudos Avançados, São Paulo, v. 22, n. 62, p. 237-256, 2008.
MACHADO, Alcântara. Vida e morte do bandeirante. São Paulo: Edusp: 1980.
MATTOS, Ilmar Rohloff de. O Tempo Saquarema: a formação do Estado Imperial. São Paulo: HUCITEC: 1990.
MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras: 1994.
MONTEIRO, John Manuel. Tupis, tapuias e historiadores: estudos de história indígena e do indigenismo. Tese (Livre docência), Universidade estadual de Campinas. Campinas, 2001.
NOVO, Leonardo Castro. Os índios no ensino escolar de História do Brasil: seus lugares, suas representações (séculos XIX-XX). Dissertação (Mestrado em História Social), Universidade Federal do Pará, Belém, 2020.
PELLEGRINI, Marco César; DIAS, Adriana Machado; GRINBERG, Keila. Vontade de saber história. São Paulo: FTD: 2015.
QUEIROZ, Maria Isaura. Ufanismo paulista: vicissitudes de um imaginário. Revista USP, São Paulo, n.13, p.78-87, 1992.
RIBEIRO, Vanise Maria; ANASTASIA, Carla Maria Junho. Coleção Piatã. Curitiba: Positivo: 2015.
ROCHA, Helenice. A narrativa histórica nos livros didáticos, entre a unidade e a dispersão. Territórios e Fronteiras (Online), v. 6, p. 53-66, 2013.
SILVA, Marco Antônio. A fetichização do livro didático no Brasil. Educação & Realidade, v.37, n.3, p. 803-821, 2012.
SILVA, Marco Antônio. História: Que Ensino é esse?. 1. ed. Campinas: Papirus: 2013.
SOARES, José Carlos de Macedo. Fronteiras do Brasil no Regime Colonial. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora: 1939.
SOUZA, Ricardo Luiz. A mitologia bandeirante: construções e sentidos. Revista História Social, Campinas, v. 1 n. 13, 151-171, 2007.
TAMBS, Lewis A. Brazil’s expanding frontiers. The Americas - Publication of The Academy of American Franciscan History, Washington (DC), v. 23, n. 2, p. 165-179, out. 1996.
TAUNAY, Afonso d'Escragnolle. História Geral das Bandeiras. Volume I. São Paulo: Tipografia Ideal: 1924.
VARNHAGEN, Francisco Adolfo. História geral Brazil, tomo I. Madrid: Imprensa da V. de Dominguez: 1854.
WALDMAN, Thais Chang. A presença bandeirante na São Paulo dos anos 1920. In: REUNIÃO DE ANTROPOLOGIA DO MERCOSUL, XI, 2015, Montevideu. Anais da XI Reunião de Antropologia do Mercosul. Montevideu: Universidad de la Republica, 2015. p. 1-16 (Anais eletrônicos).
Publicado
2020-10-30
Visualizações
  • Artigo 48
  • PDF 49
Como Citar
Gonçalves, A., & Coelho, M. (2020). As narrativas didáticas sobre o bandeirante: entre a mitologia bandeirante e a crítica histórica. Escritas Do Tempo, 2(5), 135-156. https://doi.org/10.47694/issn.2674-7758.v2.i5.2020.135156
Seção
v. 2 n. 5 (2020) Dossiê: Ensino de História, livro didático e formação docente