Cartas de Erasmo ao Imperador sobre a emancipação: José de Alencar e o cultivo da dependência entre senhores e escravizados

Palavras-chave: Cartas de Erasmo; José de Alencar; Emancipação; escravidão; liberdade

Resumo

Entre 1867-68, circulou no universo letrado brasileiro, a terceira série das Cartas de Erasmo, com três missivas “Sobre a Emancipação”, destinadas ao Imperador D. Pedro II. O artigo procura examinar em detalhes os sentidos das narrativas literárias dessas cartas abertas, debatendo as polêmicas entre a legislação sobre a escravidão e a imigração estrangeira para o Brasil, no contexto do processo de emancipação dos escravos. O escritor apontava como única proposta possível de transição entre a escravidão e a liberdade, o cultivo das relações de dependência entre senhores e escravos, operadas por meio da mudança nos costumes e na índole da sociedade, em um processo que “adoçava” o cativeiro, transformado em servidão até chegar à ausência de amparo dos escravocratas, que resultaria na redução do domínio senhorial e, paulatinamente, assumiria a forma de “tutela benéfica” dos escravos e libertos.

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Biografia do Autor

Cristina Ferreira, Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB)
Doutora em História Social pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp (2015); Mestre em História do Brasil pela Universidade Federal de Santa Catarina (1998) e graduada em História pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (1992). Professora efetiva da Universidade Regional de Blumenau - FURB, nas disciplinas História do Brasil II e III; Prática de Pesquisa Histórica I e II, Projeto de Pesquisa em História e Trabalho de Conclusão de Curso. 

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Publicado
2021-08-27
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Como Citar
Ferreira, C. (2021). Cartas de Erasmo ao Imperador sobre a emancipação: José de Alencar e o cultivo da dependência entre senhores e escravizados. Escritas Do Tempo, 3(8), 09-29. https://doi.org/10.47694/issn.2674-7758.v3.i8.2021.0929
Seção
v. 3 n. 8 (2021) - Dossiê: História e Literatura: aproximações e diferenças