“Os Livros Sujos Brotam Como Cogumelos”: Cultura Impressa e Obscenidade no Brasil (1880-1900)

Palavras-chave: Literatura; pornografia; moralidades

Resumo

Este artigo propõe como objetivo refletir sobre a emergência de uma cultura impressa havida como pornográfica no Brasil no decorrer das duas últimas décadas do século XIX. Tanto o termo pornografia quanto o tipo de literatura que ele viria a designar se popularizaram na imprensa e no espaço público brasileiros a partir de 1880, gerando calorosos debates em torno dos malefícios dessas leituras e dos limites do moralmente tolerável no Brasil. Nas páginas seguintes, a ideia é refletir sobre este processo e os discursos que ele ensejou.

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Biografia do Autor

Erika Cardoso, Núcleo de Estudos Contemporâneos (NEC/UFF)
Doutora em História pelo Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal Fluminense (PPGH/UFF), onde desenvolveu uma pesquisa sobre a constituição das tradições pornográficas brasileiras com o apoio de uma Bolsa Capes. Realizou estágio de doutoramento pelo período de 1 ano em Paris-Est Marne-la-Vallée, com bolsa CAPES/Cofecub (2016-2017). Foi pesquisadora-bolsista da Fundação Biblioteca Nacional (PNAP), com o projeto "A tradição pornográfica brasileira: constituição e desenvolvimento - 1910/1960" (2015). Possui mestrado em História Social, também pela UFF, onde realizou uma pesquisa relacionando a obra do autor e ilustrador de quadrinhos de cunho sexual, Carlos Zéfiro, com a ambiência moral do período em foi produzida (1950/70). Graduou-se em História na mesma universidade, em 2011. 

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Publicado
2021-08-27
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Como Citar
Cardoso, E. (2021). “Os Livros Sujos Brotam Como Cogumelos”: Cultura Impressa e Obscenidade no Brasil (1880-1900). Escritas Do Tempo, 3(8), 51-72. https://doi.org/10.47694/issn.2674-7758.v3.i8.2021.5172
Seção
v. 3 n. 8 (2021) - Dossiê: História e Literatura: aproximações e diferenças