A Guerrilha do Araguaia e a memória como direito na educação básica

Palavras-chave: Guerrilha do Araguaia., Memória, Ensino de História

Resumo

Muitos professores, a exemplo de Marc Bloch (2002), ainda precisam responder para que serve a história. E há, por outro lado, os convictos de que a história, como a arte e a filosofia, não precisa, e nem deve, ter utilidade. Esse velho dilema sustenta aquelas aulas odiosas de que falou Murilo Mendes (apud Nadai,1993) ainda no início do século XX. Nessa comunicação, que socializa experiência de pesquisa e de docência, parte-se da crítica a assepsia do currículo em relação aos povos do campo ao campo para propor a memória como possibilidade de ressignificação do ensino de história, fundamento cuja referência são os postulados de Rüsen e Paulo Freire. Isso implica dizer que é preciso, sobretudo no âmbito da educação básica planejada e realizada no campo, empreender esforços no sentido de garantir ao povos do campo, especialmente o povo camponês do Araguaia-Tocantins, o direito ao passado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Moisés Pereira Silva, Universidade Federal do Norte do Tocantins

Doutor em História Social. Professor adjunto do Colegiado de História e do Mestrado Profissional em Ensino de História. Pesquisador dos temas: questão agrária, trabalho escravo contemporâneo e ensino de História.

Marcos Edilson de Araújo Clemente, Universidade Federal do Norte do Tocantins

Professor Adjunto do colegiado de história e do Metrado Profissional de Ensino de História, da Universidade Federal do Norte do Tocantins.

Jôyara Maria Silva de Oliveira, Secretaria Municipal de Educação de Araguaína-TO

Mestrado Interdisciplinar. Professora da Educação Básica, SEMED-Araguaína.

Referências

AGUIAR, Márcia Angela da Silva; DOURADO, L.F. (orgs). A BNCC na contramão do PNE 2014-2024. Recife: ANPAE, 2018.
ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de. Conflito e mediação: os antagonismos sociais na Amazônia segundo os movimentos camponeses, as instituições religiosas e o Estado. Rio de Janeiro: UFRJ, 1993. Tese de Doutorado.
ASSELIN, Victor. Grilagem: corrupção e violência em terras dos carajás. Petrópolis: Vozes/CPT, 1982.
BLOCH, Marc. Apologia da História, ou ofício do historiador. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.
CÂNDIDO, Antônio. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. 10. ed. São Paulo: Editora 34, 2003.
CARDOSO, Irene de Arruda Ribeiro. Memória de 68: terror e interdição do passado. Tempo Social; Rev. Sociol. USP, São Paulo, 2 (2): 101-112, 2 sem. 1990.
CHINEM, Rivaldo. Sentença: padres e posseiros do Araguaia. Rio de Janeiro: paz e terra, 1983.
CRUZ, José Adelson da. Luta pela terra, práticas educativas e saberes no Médio Araguaia-Tocantins. Goiânia: UFG, 2000.
ESTERCI, Neide. Conflito no Araguaia: peões e posseiros contra a grande empresa. Petrópolis: Vozes, 1987.
FIGUEIRA, Ricardo Rezende. Pisando fora da própria sombra: a escravidão por dívida no Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
_____. A justiça do lobo: posseiros e padres do Araguaia. Petrópolis: Vozes, 1986.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e ousadia: o cotidiano do professor. 12. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.
GUZMÁN, Eduardo Sevilla & MOLINA, Manuel González de. Sobre a Evolução do Conceito de Campesinato. São Paulo: Expressão Popular, 2005.
IANNI, Octávio. A luta pela terra: história social da terra e da luta pela terra numa área da Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1978.
KOTSCHO, Ricardo. O massacre dos posseiros: conflitos de terra no Araguaia-Tocantins. 2a ed. São Paulo: Brasiliense, 1982.
LIMA, Nísia Trindade de. Um sertão chamado Brasil. 2ª ed. São Paulo: Hucitec, 2013.
MARTINS, José de Souza. Os camponeses e a política no Brasil: as lutas sociais no campo e seu lugar no processo político. 2. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1983.
____. Fronteira: a degradação do outro nos confins do humano. São Paulo: Hucitec, 1997.
___. A Sociabilidade do Homem Simples: cotidiano e história na modernidade anômala. 3ª ed. São Paulo: Contexto, 2012
MECHI, Patrícia. A Guerrilha do Araguaia e a repressão contra camponeses: reflexões sobre os fundamentos e as práticas repressivas do Estado brasileiro em tempos de ditadura. História revista, Goiânia, v. 20, n. 1, p. 48–70, jan./abr. 2015.
MOURA, Flávia de Almeida. Escravos da precisão: economia familiar e estratégias de sobrevivência de trabalhadores rurais em Codó (MA). Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Universidade Federal do Maranhão, São Luís, 2006.
NADAI, Elza. O ensino de história no Brasil: trajetória e perspectivas. Revista Brasileira de História, São Paulo: v. 13, n 25/26, pp. 143-162, set. 92/ago. 93.
OLIVEIRA, Luís Roberto Cardoso de. Os grandes empreendimentos agropecuários na Amazônia (relatório parcial). Brasília: Emater, 1992.
PAIVA, José Maria de. Estado e Educação. A Companhia de Jesus: Brasil, 1549-1600. Revista Brasileira de História da Educação. vol. 15, n.2 (38), mai./ago. 2015, p.169-191.
PEIXOTO, Rodrigo Corrêa Diniz. Memória social da Guerrilha do Araguaia e da guerra que veio depois. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 6, n. 3, pp. 479-499, set.-dez. 2011.
ROMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da educação no Brasil (1930-1973). 36.ed. Petrópolis: Vozes, 2003.
RÜSEN, Jörn. Didática da História: passado, presente e perspectivas a partir do caso alemão. Tradução de Marcos Roberto Kisnick. Práxis Educativa, Ponta Grossa, v. 1, n. 2, p. 7-16, jul.-dez. 2006.
______. Teoria da história: uma teoria da história como ciência. Tradução de Estevão C. de Rezende Martins. Curitiba: UFPR, 2015.
SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. 4. ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2013.
SCHUELER, Alessandra Frota Martinez de; MAGALDI, Ana Maria Bandeira de Mello. Educação escolar na Primeira República: memória, história e perspectivas de pesquisa. Revista Tempo, n 26, outubro de 2008.
AUTORES

Imprensa
SOUZA, Mariana Duarte. Qual a história por trás do massacre de garimpeiros da Ponte de Marabá? Brasil de Fato, São Paulo (SP), 26 de Janeiro de 2020. In: https://www.brasildefato.com.br/2020/01/26/qual-a-historia-por-tras-do-massacre-da-pontede-maraba/. Acessado em 02 de dezembro de 2021.

Documentário
RAMPAZZO, Alexandre. Nas terras do bem virá. Direção: Alexandre Rampazzo. Produção: Eclipse Produções/ Varal Filmes. País: Brasil. Duração: 110min. Ano: 2007.

Documento
ARROYO, Ângelo. Relatório Arroyo. CNV, 1974. In: http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/component/content/article/41-documentos-citados-no-volume-i-do-relatorio/619-documentos-citados-capitulo-14.html. Acessado em 10/03/2022.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Brasília. Senado Federal 2001.
COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE. A Guerra Popular no Araguaia: 1973. In: https://documentosrevelados.com.br/wp-content/uploads/2015/06/documentos-e-relatorios_araguaia_parte3.pdf. Acessado em 10/03/2022.
FUNDAÇÃO MAURÍCIO GRABÓIS. Diário da Guerrilha. Araguaia: s/d. In: https://www.grabois.org.br/portal/especiais/136883-44738/2014-04-10/diario-de-mauricio-grabois-na-guerrilha-do-araguaia. acessado em 15/03/2022.
PC DO B. Estudo do PC do B para implantação da Guerrilha Rural no Araguaia (1968-1972). In: http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/images/documentos/Capitulo14/Nota%2010%20-%20BR_DFANBSB_VAY_0042_d.pdf, acessado em 10/02/2022.
_____. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília: MEC, 2018. em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf, Acessado em 03/03/2022.
Publicado
2022-09-09
Visualizações
  • Artigo 35
  • PDF 20
Como Citar
Silva, M., Clemente, M. E., & de Oliveira, J. M. (2022). A Guerrilha do Araguaia e a memória como direito na educação básica. Escritas Do Tempo, 4(11), 91-112. Recuperado de https://periodicos.unifesspa.edu.br/index.php/escritasdotempo/article/view/1865