“Que fizeram com meu pai?”: sindicalismo e ditadura no Amazonas

Palavras-chave: Ditadura Militar, Amazônia, Biografia, Antogildo Pascoal Viana, Sindicatos

Resumo

A história da Ditadura Militar e seus impactos sobre o estado do Amazonas ainda carecem de estudos. Há uma grande lacuna sobre o período e a disputa pela memória sobre a ditadura está em aberto. Muito ainda há se pesquisar acerca dos impactos da Ditadura Militar sobre a Amazônia e sobre o estado do Amazonas. Existe uma crença generalizada de que a região não sofreu com a repressão, a censura e o autoritarismo. Ledo engano! Desde muito cedo, a região sofreu os impactos da ditadura que se instalava. Embora os impactos da ditadura militar tenham sido sentidos desde os primeiros momentos do golpe, há uma profunda invisibilidade sobre a repressão ocorrida no estado e as formas de resistência. Nesse sentido, nesse artigo pretendo discutir brevemente a trajetória de uma das mais importantes lideranças sindicais amazonenses: Antogildo Pascoal Viana, presidente do sindicato dos estivadores no período da deflagração do golpe e que, em virtude de sua luta em defesa dos trabalhadores e de sua intensa participação nas greves que antecederam o fatídico 31 de março, foi uma das primeiras vítimas do aparato repressivo que se instaurava.

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Publicado
2020-06-30
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Como Citar
Queirós, C. A. (2020). “Que fizeram com meu pai?”: sindicalismo e ditadura no Amazonas. Escritas Do Tempo, 2(4), 183-206. Recuperado de https://periodicos.unifesspa.edu.br/index.php/escritasdotempo/article/view/1204
Seção
v. 2 n. 4 (2020): Dossiê - Biografias e Trajetórias: vidas por escrito