De começos e anexações. Primeiras apropriações de Álvaro Lins em Portugal

Palavras-chave: Álvaro Lins; Campo literário; Portugal

Resumo

Interessado em reconstituir as relações e formas mediante as quais se deram as primeiras assimilações de Álvaro Lins em territórios intelectuais e literários portugueses, este artigo resulta de uma pesquisa conduzida em arquivos portugueses – basicamente, imprensa periódica. Este esforço se mostra particularmente pertinente num momento em que, dado o protagonismo de A. Lins em episódio tão importante para a história política recente de Portugal, como foi o caso do asilo concedido ao Gal. Humberto Delgado, em 1959, as novas gerações de historiadores têm esquecido que se tratava, antes de tudo e principalmente, de um escritor e crítico literário. O que se procura aqui entender é como, então, se deu essa primeira anexação de A. Lins ao campo intelectual português? Como foi lido, apreendido, assimilado? Por que meios se tornou conhecido? Que relações foram, a partir daí, tecidas? Que usos, sua obra suscitou?

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Flávio Weinstein Teixeira, UFPE
Possui graduação em História pela Universidade Federal de Pernambuco (Licenciatura -1988; Bacharelado-1989), mestrado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (1994) e doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2005). Atualmente é professor Associado da Universidade Federal de Pernambuco. Tem experiência na área de História, com ênfase em História Cultural/Intelectual, atuando principalmente nos seguintes temas: Recife - anos 1940/70 (política e cultura), modernidade, renovação cultural.

Referências

Fontes Impressas (Jornais e Revistas)
ACÇÃO – Semanário da vida portuguesa, Lisboa, 1941 a 1949.
ATLÂNTICO (Revista). Lisboa: SPN, 1942 a 1950.
AVENTURA – Revista bimestral de cultura. Lisboa, 1942 a 1944.
BRASIL – Artes e Letras. Boletim mensal de artes e letras da Embaixada do Brasil em Lisboa, 1954 a 1956.
GRAAL – Poesia, Teatro, Ficção, Ensaio, Crítica (Revista). Lisboa, 1956 e 1957.
LER – Jornal de Letras, Artes e Ciências. Lisboa, 1952 a 1953.
REPÚBLICA (Jornal Diário). Lisboa, 1952 a 1959.

Bibliografia
ASSUNÇÃO, Marcello Felisberto Morais de. As relações culturais luso-brasileiras em perspectiva: da gênese do ideário de comunidade à fundação da Revista Brasília (1822-1942). Revista Portuguesa de História, Coimbra, Tomo XLVI, p. 281-300, 2015.
BOLLE, Adélia Bezerra de Meneses. A obra crítica de Álvaro Lins e sua função histórica. Petrópolis: Vozes, 1979.
BOURDIEU, Pierre. As regras da arte. São Paulo: Cia. das Letras, 1996.
______. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre, RS: Zouk, 2007.
______. Campo de poder, campo intelectual: Itinerario de un concepto. Buenos Aires: Editorial Montressor, 2002.
CAPELATO, Maria Helena. Propaganda política e controle dos meios de comunicação. In: PANDOLFI, Dulce (org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1999.
CHORÃO, Luís Brigotte. Asilo Político em tempos de Salazar. Os casos de Humberto Delgado e Henrique Galvão. Lisboa: Edições 70, 2019.
COUTINHO, Afrânio. Da crítica e da nova crítica. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.
DELGADO, Humberto. Memórias de Humberto Delgado. Introdução e epílogo Iva Delgado. Lisboa: Dom Quixote, 2009.
DO Ó, Jorge Ramos. Os anos de Ferro: o dispositivo cultural durante a "política do espírito", 1933-1949: ideologia, instituições, agentes e práticas. Lisboa: Estampa, 1999.
GEORGE, João Pedro. O meio literário português, (1960-1998). Miraflores: Difel, 2002.
HOLANDA, Lourival; FRANÇA, Humberto (orgs.). Álvaro Lins: ensaios de crítica literária e cultural. Recife: Ed. UFPE, 2007.
LINS, Álvaro. Missão em Portugal. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1960.
MARTINS, Wilson. A crítica modernista. In: COUTINHO, Afrânio e COUTINHO, Eduardo de Faria (orgs.). A literatura no Brasil. 7 ed. rev. São Paulo: Global, 1999.
MEDEIROS, Nuno Miguel Ribeiro de. Edição e editores portugueses: o mundo do livro em Portugal 1940-1970. Lisboa: ICS-Imprensa de Ciências Sociais, 2010.
MICELI, Sérgio. Intelectuais à brasileira. São Paulo: Cia. das Letras, 2001.
NINA, Claudia. Literatura nos jornais: A crítica literária dos rodapés às resenhas. São Paulo: Summus, 2007.
PAIVA, Valéria da Silva. Diálogo Cordial: Cultura Política, os intelectuais e as letras no Estado Novo. Tese (Doutorado em História), Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, 2011.
PAULO, Heloisa Helena de Jesus. A questão do Brasil na propaganda do Estado Novo. Revista de História das Ideias, Coimbra, v. 14, p. 425-438, 1992.
______; TORGAL, Luís Reis. Cidadania, nacionalismo e propaganda política. In: PEIXINHO, Ana Teresa, CAMPONEZ, Carlos, VARGUES, Isabel, FIGUEIRA, João (orgs.). Media e espaço público. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2015. p. 169-188.
PEREIRA, Fábio. Jornalistas-intelectuais no Brasil. São Paulo: Summus, 2011.
PIRES, Daniel. Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1941 - 1974). Vol. II (Tomos I e II), Lisboa: Grifo, 2000.
RAMASSOTE, Rodrigo Martins. Inquietudes da crítica literária militante de Antônio Candido. Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 23, n. 2, p. 41-70, 2011.
ROCHA, Clara Crabbé. Revistas literárias do século XX em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985.
ROCHA, João Cezar de Castro. Crítica literária: em busca do tempo perdido?. Chapecó: Argos, 2011.
ROSA, Fernando e BRITO, J. M. Brandão de. Dicionário de História do Estado Novo. Vol. II, Lisboa: Bertrand, 1996.
SIMÕES, João Gaspar. Saudação a Álvaro Lins. Letras e Artes – Suplemento de A Manhã, Rio de Janeiro, 1952.
SÜSSEKIND, Flora. Rodapés, tratados e ensaios: a formação da crítica brasileira moderna. In: SÜSSEKIND, Flora. Papéis colados. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 2002.
TORGAL, Luís Reis. “Literatura oficial” no Estado Novo: os prémios literários do SPN/SNI. Revista de História das Ideias, Coimbra, n. 20, p. 401-420, 1999.
TORGAL, Luís Reis. Estados novos, estado novo: ensaios de história política e cultural, vol. II. 2ª edição, Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009.
TRIGUEIROS, Luís Forjaz. “Trinta anos de cultura nacional”. Panorama, nº 2, junho de 1956.
VELLOSO, Mônica Pimenta. Os intelectuais e a política cultural do Estado Novo. Rio de Janeiro: Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, 1987.
Publicado
2020-06-30
Visualizações
  • Artigo 24
  • PDF 31
Como Citar
Teixeira, F. (2020). De começos e anexações. Primeiras apropriações de Álvaro Lins em Portugal. Escritas Do Tempo, 2(4), 62-82. Recuperado de https://periodicos.unifesspa.edu.br/index.php/escritasdotempo/article/view/1246
Seção
v. 2 n. 4 (2020): Dossiê - Biografias e Trajetórias: vidas por escrito