Sacralidade erótica em processos inquisitoriais portugueses

Palavras-chave: Inquisição, Fornicação, Religiosidade popular

Resumo

A partir do processo da Inquisição Portuguesa contra Joseph Rodrigues Manteigas, nos primeiros anos do século XVIII, o artigo examina as relações entre fornicação, sacralidade e relações de gênero no Portugal do Antigo Regime. Compara o caso em foco com o de frei Luis de Nazaré, carmelita estudado por Laura de Mello e Souza, em artigo pioneiro (1986) e com os processos de solicitação analisados por Lana Lage da Gama Lima em sua tese de doutorado (1991). O foco do texto reside na discussão sobre a mentalidade misógina da cultura lusitana, bem como a imbricação concreta entre sexualidade e religiosidade no cotidiano da época.

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Biografia do Autor

Ronaldo Vainfas, Universidade Federal Fluminense

Licenciado em História pela Universidade Federal Fluminense (1978), mestre pela mesma Universidade em História do Brasil (1983), Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de História da UFF a partir de 1978 e Professor Titular de História Moderna, por concurso público, desde 1994. Aposentado na UFF em 2015. Pesquisador do CNPq desde 1990, sendo atualmente I-A. Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em História da UERJ - Faculdade de Formação de Professores, de 2016 a 2017 e, novamente, a partir de 2020. Professor Visitante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte entre 2017 e 2019. 

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Publicado
2021-12-30
Visualizações
  • Artigo 133
  • PDF 182
Como Citar
Vainfas, R. (2021). Sacralidade erótica em processos inquisitoriais portugueses. Escritas Do Tempo, 3(9), 85-98. https://doi.org/10.47694/issn.2674-7758.v3.i9.2021.8598
Seção
v. 3 n. 8 (2021) Dossiê: Inquisição, 200 anos depois do seu fim