Entre a Cruz e a Menorá: uma tipificação possível para o estudo do criptojudaísmo no contexto da Inquisição portuguesa (XVI–XVIII)

Palavras-chave: Cristãos novos, Inquisição, Resistência, Tipificação

Resumo

O presente artigo tem como objetivo conceituar teoricamente o fenômeno do criptojudaísmo por meio da tipificação dos comportamentos mantidos por cristãos novos em diferentes espaços do Império português considerados indicativos da heresia do judaísmo entre os séculos XVI e XVIII. Trata-se de um estudo bibliográfico e documental, no qual foram utilizados como fontes principais os registros das visitas inquisitoriais perpetradas ao Brasil, bem como alguns processos da Inquisição. Esperamos com este trabalho, contribuir para uma melhor compreensão de aspectos importantes da resistência sefardita nos domínios lusos, bem como oferecer subsídios às novas gerações de historiadores interessados em enveredar pela esteira dos estudos inquisitoriais, especialmente no tocante a realidade dos cristãos novos e do criptojudaísmo.

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Biografia do Autor

Anderson Cordeiro Moura, Universidade Federal de Pernambuco

Doutorando em História pela Universidade Federal de Pernambuco - (UFPE). Mestre em Ciências das Religiões pela Universidade Federal da Paraíba - (UFPB). Possui Graduação em História (Licenciatura plena) e Pós graduação em História do Brasil pela Autarquia Municipal de Ensino Superior de Goiana- (AMESG-FADIMAB). Tem interesse na área de História, com ênfase em História da América colonial, atuando principalmente nos seguintes temas: Inquisição no Brasil; Inquisição no mundo ibérico e colonial; Religiões e religiosidades no mundo iberoamericano; Criptojudaísmo; Cristãos-novos; Imaginário e intolerância religiosa.

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Publicado
2021-12-30
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Como Citar
Moura, A. (2021). Entre a Cruz e a Menorá: uma tipificação possível para o estudo do criptojudaísmo no contexto da Inquisição portuguesa (XVI–XVIII). Escritas Do Tempo, 3(9), 48-70. https://doi.org/10.47694/issn.2674-7758.v3.i9.2021.4870
Seção
v. 3 n. 8 (2021) Dossiê: Inquisição, 200 anos depois do seu fim